Bactérias Multirresistentes em Ambiente Hospitalar: Dr. Kleber Luz Explica Riscos, Mecanismos de Transmissão e Medidas de Prevenção
Em entrevista ao g1 RN, infectologista detalha as características de patógenos como Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter baumannii, destacando a importância do isolamento de contato e da higienização rigorosa das mãos.
A ocorrência de infecções hospitalares por microrganismos multirresistentes é um dos maiores desafios da infectologia contemporânea e do controle de infecção em serviços de saúde. Em reportagem publicada pelo portal g1 RN, o médico infectologista e pesquisador Dr. Kleber Giovanni Luz analisou os fatores biológicos e epidemiológicos associados à circulação e transmissão cruzada de bactérias gram-negativas em ambientes de internação.
O especialista esclareceu a diferença clínica fundamental entre dois termos frequentemente confundidos na prática hospitalar:
Colonização
Ocorre quando o microrganismo está presente no organismo do paciente sem provocar sinais clínicos, sintomas ou danos teciduais aparentes.
Infecção
Caracteriza-se quando o patógeno ultrapassa as barreiras defensivas do hospedeiro, gerando resposta inflamatória, alterações laboratoriais e manifestações clínicas sistêmicas ou localizadas.
Perfil dos Patógenos e Riscos Clínicos
Durante a entrevista, o Dr. Kleber explicou detalhadamente o comportamento dos principais microrganismos associados a surtos e infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS):
Pseudomonas aeruginosa
Apresenta alta capacidade de sobrevivência em ambientes úmidos. É uma bactéria agressiva que pode acometer tanto pacientes imunodeprimidos quanto indivíduos com defesas preservadas, com potencial para desencadear pneumonias graves e infecções de corrente sanguínea.
Klebsiella pneumoniae
Comumente presente na microbiota intestinal humana, torna-se uma ameaça grave quando atinge outros sítios anatômicos (pulmão, trato urinário, corrente sanguínea e meninges) em pacientes fragilizados. Destaca-se também pela facilidade com que adquire e transfere plasmídeos de resistência a antibióticos em contato com outras bactérias.
Acinetobacter baumannii
Embora classificado como um microrganismo oportunista e de agressividade basal menor em comparação às anteriores, impõe um dos maiores desafios terapêuticos na prática médica devido ao seu perfil de resistência ampliada e à escassez de opções antimicrobianas disponíveis no arsenal farmacológico.
"A transmissão dessas bactérias frequentemente ocorre de forma cruzada, seja pelo contato indireto entre leitos ou pelas mãos dos profissionais de saúde quando os protocolos de higiene não são rigorosamente seguidos. A prevenção efetiva exige a identificação rápida, o isolamento imediato dos pacientes portadores e a adesão irrestrita à lavagem das mãos e ao uso de EPIs."
Pilares da Prevenção e Controle
A implementação de barreiras de isolamento de contato, a higienização ambiental contínua e a atuação vigilante das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) permanecem como os pilares essenciais para conter a disseminação bacteriana e garantir a segurança do paciente nas unidades hospitalares.