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Alerta Sanitário

Primeiro caso de superfungo Candida auris no RN: Dra. Eveline Pípolo explica riscos e prevenção

28 Mar, 2026 Fonte: Rádio Universitária
Microscopia de Fungo/Patógeno

O fungo exige monitorização contínua e adoção de técnicas moleculares avançadas para o seu diagnóstico correto nos hospitais.

Identificação do superfungo no RN reforça a necessidade de vigilância hospitalar integrada. (Foto: Banco de Imagens)

O Rio Grande do Norte registrou o seu primeiro caso confirmado de contaminação pelo superfungo Candida auris. O paciente está internado no Hospital Central Coronel Pedro Germano (Hospital da Polícia Militar), em Natal. Diante da ocorrência, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP) adotou protocolos reforçados de prevenção e rastreamento para conter a transmissão.

Para explicar a dimensão desse alerta e desmistificar os medos em torno do fungo, a médica infectologista e professora do Departamento de Infectologia da UFRN, Dra. Eveline Pípolo, concedeu uma entrevista detalhando as características que tornam este microrganismo uma ameaça aos ambientes hospitalares.

Ouça a entrevista completa

Dra. Eveline Pípolo para a Rádio Universitária

O que faz do Candida auris um "Superfungo"?

De acordo com a Dra. Eveline, o título de "superfungo" não é em vão. Ele é atribuído devido a três características cruciais que desafiam as equipas clínicas:

Dificuldade no Diagnóstico e Prevenção

A identificação exata da espécie exige tecnologia avançada. "Para que ocorra uma identificação precisa, é necessário que o serviço adote técnicas de biologia molecular, como o MALDI-TOF, o sequenciamento ou uma PCR específica", aponta a especialista. Estas tecnologias, no entanto, não fazem parte da rotina da maioria dos hospitais e laboratórios clínicos.

Como prevenção, a regra de ouro é o isolamento rigoroso. Pacientes colonizados ou infectados devem permanecer em enfermarias restritas, e os profissionais de saúde só devem entrar totalmente paramentados (com capote, luvas, máscara e gorro), descartando todo o material ao sair para evitar a contaminação cruzada. Além disso, a desinfecção do ambiente precisa ser potencializada.

Um recado tranquilizador para a população

Apesar da gravidade do quadro para pacientes já internados (principalmente aqueles com sistema imunológico enfraquecido ou com dispositivos invasivos), a Dra. Eveline é categórica: não há motivo para pânico ou mudança de comportamento na sociedade.

"O surgimento de um isolado de Candida auris num ambiente hospitalar é um alerta para os serviços de saúde. Ele é um problema hospitalar, não é um problema ambiental nem comunitário", concluiu a médica.

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